Não! Tchau! Acabou…

Não! Tchau! Acabou…

Essas são as três palavras que o Nico não gosta de ouvir. E quem gosta? rs

Quando ele tenta pegar o óculos do meu rosto, falo com veemência “NÃO!” e ao menor sinal de desgosto, ele já faz aquele bicão, seguido pelo choro ou choramingo, depende do humor do bendito Nico.

É engraçado pensar que na verdade, ninguém gosta de ouvir um sonoro “NÃO!”. Deixando de lado um pouco de orgulho e bom samaritanismo, sabemos que lá no fundo o “não” nos corta, nos fere narcisicamente, machuca nosso EU. “Quem é você para me dizer NÃO!?” Já ouviram essa frase? Trocando em miúdos, quando você demanda alguma coisa e alguém te fala “Não!” você se sente castrado, diminuído e percebe que o mundo não é apenas o seu EU, existem vários outros EUs por ai, tão narcísicos quanto você.

Sendo assim, podemos concluir que o “NÃO!” não deve ser dito para seu filho(a), correto? NÃO! Pelo contrário, o “NÃO” assim como o “SIM”, devem ser utilizados de maneira consciente, ensinando ao seu bebê como se portar socialmente, impondo limites, pois seu filho(a) assim como você é um “bicho social” e é a cultura que nos diferencia dos outros bichos.É mais fácil ele aprender a lidar com o “NÃO!” desde cedo, em casa e com afeto, do que aprender do jeito HARD na vida a fora. Já fiz um post aqui no blog, sobre A TURMA DO EU ME ACHO, que tem um pouco haver com este assunto, se quiser ler é só clicar aqui. Se você não tiver medo de refletir, verá que até para nós, adultos, é difícil ouvir um “não” na grande maioria das vezes, podemos colocar vários obstáculos na frente para não enxergar, mas a cada “Não!” que ouvimos e falamos nós crescemos. Qualquer dia faço um post mais elaborado sobre o “NÃO, e a dificuldade de ouvi-lo e dizê-lo”.

Tchau! O que é o tchau, adeus, até logo… despedida. Um indício de perda. O rastro de algo que partiu. E quem gosta de perder? Seja alguém amado ou no “par ou impar”? Já ouvi por ai “é bom a criança ter cachorro desde pequena, para quando o cão morrer, a criança aprender a lidar a perda do bichinho”, penso um pouco diferente, creio que no dia a dia, podemos ensinar o bebê a lidar com esse sentimento, a perda(no sentido mais interior da palavra, a morte) é algo inevitável na vida de todos nós, e não será diferente com o seu bebê, não há necessidade de morrer um cachorro ou gato, para ele aprender a lidar com o luto, consequentemente com a perda. Creio que com pequenas ações podemos “facilitar” essa lição de vida. O pai vai na padaria, dá um tchau para o bebê, a mãe vai trabalhar abane a mão e diga tchau para o seu bebê, visitas, padrinhos, avôs e etc… evitem sair escondidos de casa na hora de ir embora, dê tchau para o bebê, mostre que você veio, porém teve que partir e assim aos poucos, ele entenderá que vocês foram embora, porém voltarão, mesmo que este voltar seja ilusório(até para nós). O bebê se sentirá frustrado naquele momento? Sim, mas em passos de formiga, aprenderá a lidar com a perda, a frustração, a ansiedade, o luto, a sinceridade e etc.

Após todas as refeições do Nico, eu digo “acaboooooou”, antigamente, ele quase sempre chorava, hoje em dia ele continua chorando kkkkkkkkkk, mas é um choro de quero mais, mesmo sem fome, um choro de saudade do alimento que ainda não comeu. Acabar corresponde à um chegar ao fim de alguma coisa, não é necessariamente negativo, acabar uma lição de casa significa que a sua tarefa acabou, e você pode ir jogar vídeo game, quando o pudim de leite condensado acaba, significa que ele chegou ao fim, dando espaço à outra sobremesa. Quando algo acaba, significa que chegou ao fim, e conheço muita gente que tem dificuldade de chegar ao fim de seus objetivos, metas e sonhos, quero que através de pequenas metas, Nico saiba que o ato terminar algo não deve ser visto como algo negativo, pois viver é muito mais do que preto no branco, muito mais que ruim ou bom, certo ou errado… Estou educando um ser pensante e para isso é necessário aprender a lidar com a parte difícil de viver, o Não, o tchau e o acabou! 

Não tenha uma visão errada de mim, pelo modo que eu educo meu filho, creio que você que esta lendo esse texto deve estar me achando um escroto, ditador e etc(escrevi “foda-se”, mas apaguei, só estou dizendo isso aqui, justamente para mostrar que eu não sou perfeito, muito menos dono da verdade) não é bem assim, eu estou tentando educar o Nico da maneira correta(para mim e não para toda a sociedade, vários EUs, lembra? rs ), assim como meus pais me educaram da maneira correta(para eles) e assim por diante, das coisas que tento(veja bem TENTO) ensinar para o Nico, ai estão os pontos mais complicados a serem discutidos. Imagine a educação como uma salada, cheia de temperos e condimentos, uns preferem mais sal do que outros, outros preferem mais pimenta e assim por diante, tudo isso dito acima misturado com afeto, atenção, cuidados, boa alimentação, asseio e amor, muito amor, brincadeiras, estímulos sociais e etc… pode ter certeza que dessa salada eu partilharei!

Deixo claro que esta é a minha opinião sobre esses temas,  não sou médico, psicólogo e muito menos a voz da verdade, sou apenas um pai tentando não errar muito. Cabe a você, refletir meu ponto de vista e concordar ou não. Os comentários estão sempre abertos para discussões sadias.

PS. Usei pudim e salada como exemplos, acho que estou com fome, vou almoçar… bom apetite! rsrs

 

Bjss e até breve! Sem choro hein! kkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

=P

4 comentários em “Não! Tchau! Acabou…

  1. Palmas e mais palmas.

    Texto primoroso sobre o significado das coisas “insignificantes” como a importância do não correto (não o “não” pra tudo, mas o “não” consciente, daquilo que realmente merece um não).

    E eu concordo plenamente contigo a respeito do “tchau”. É uma bobagem tremenda mentir pra criança, ou fazer algo escondido, tipo sair de casa. A criança logo vai notar sua falta e não vai entender direito o que houve. Mas quando você explica, conversa, mesmo que ela resmungue no começo, em breve ela vai entender este afastamento temporário e vai aprender que coisas vem e vão, ou vem umas e vão outras, e tudo fica bem.

    Cara, to contigo e não abro, parabéns mais uma vez pela grande lição.

    1. Querido Eduardo.

      Agradeço seu comentário. E igual você citou, essas coisas “insignificantes” são super importantes. É bom saber que outros leitores tem o pensamento parecido com o meu, óbvio que ser pai também é um aprendizado, não tem receita nem regra e se em algum ponto eu identificar que estou sendo muito radical, serei pai o suficiente para voltar atrás e aprender com meu erro.

      Continue lendo o blog, agradeço mais uma vez seu comentário.

      =D

    1. Obrigado pelo comentário Karen. É dificil saber até que ponto podemos ir nessa análise sobre educar, mas também reconheço que estou educando um bebê, que será um jovem, que será um adulto… sendo assim, estou tentando plantar da melhor maneira possível.

      Bjss

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