Somos grande?

Quem acompanha o blog a algum tempo, sabe que sou meio “cabreiro” com feriados (comerciais), e o dia dos pais é um desses feriados vendidos, com um pano de fundo nobre, mas manchado pelo consumo, na minha opinião, é claro!

Enfim, hoje é segunda feira, e para continua sendo o dia dos pais, mães, índios, árvores e etc… o mundo continua girando e em alguns lugares desse mesmo planeta, nem foi dia dos pais! kkkkkkkkk mas a paternidade e maternidade são universais e seu legado incomparável.

Ontem vi um episódio da “nova” série Cosmos: Uma Odisséia do Espaço-Tempo com o Astrofísico Neil deGrasse Tyson. No primeiro episódio ele fala sobre o nosso endereço cósmico, ou seja, em qual momento do tempo e espaço nos estaríamos localizados se o universo, desde a sua criação até a leitura deste post, fosse colocado em um calendário, do tipo que conhecemos hoje. Sendo 1º de Janeiro o Big Bang. Sabe onde a raça humana estaria localiza? 31 de Dezembro Hora 22.30.00 PASMEM! E eu não estou falando de humano que usam celular e navegam na internet, estes estão localizados no último segundo do ano novo…

Vale a pena assistir essa série, tanto a nova quanto a antiga, do Carl Sagan.

A civilização “em menos de 2 segundos” conseguiu modificar o planeta, criar cultura e viver em sociedade. E creio que a família foi a base primordial desse desenvolvimento. Por isso valorize a sua família, mesmo que ela seja “torta”, todos temos defeitos, o que temos que aprender é a conviver com as diferenças.

Ver essa série me mostrou o quanto somos pequenos em comparação com o universo, vivemos num planeta entre trilhões de outros. É lindo e ao mesmo tempo esmagadoramente angustiante. Por isso a cada dia vivo mais a minha vida e menos a dos outros, foco mais nos meus sonhos e anseios e menos nos problemas que persistem em nos perseguir.

Sol

Uma excelente semana à todos.

 

 

Trilha do post

 
Bjs

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Foda-se “O Dia das Mães”

Calma, calma… antes de deletar meu blog dos favoritos, me xingar no twitter ou descurtir minha fan page, deixe-me esclarecer o título do post.

ODEIO datas comemorativas comerciais! Dia das mães/pais/crianças/namorados/etc… Dar um bom presente para sua mãe não significa que você ama a sua progenitora, pois na maioria das vezes você compra qualquer coisa que deu tempo ou que a grana permitiu. Sua mãe não quer apenas presente, ela quer você PRESENTE! Ligar para mãe, pai e etc, uma vez por ano não significa que você é grato por ter nascido, ou agradeça por sua educação e afeto recebido quando bebê e criança, ligar uma vez ao ano, coincidentemente na data comercial e comemorativa do dia X significa que você é egoísta. E presente nenhum no mundo irá mudar isso. Pague afeto com afeto.

Eu tenho a sorte de ter minha mãe viva e presente em minha vida. A mesma sorte que meu filho tem com a mãe dele, no caso, Naty, minha esposa. Mas para você que já perdeu sua mãe, nessa data lembre-se dela e dos bons momentos que passaram juntos. Lembrando que mãe não é apenas a que dá a luz, sua mãe pode ter sido sua avó, sua tia, uma desconhecida que por algum motivo achou que sua vida precisava de um brilho diferente e te adotou. Mãe, pai, criança, namorada e etc… devem ser lembrados diariamente. Óbvio que não temos tempo hábil para ligar e bater papo com a mãe, pai, os índios (pois também temos dia do índio… =P) mas pelo menos uma vez na semana é impossível não ter alguns minutos para dedicar à alguém que te dedicou a vida.

 

Sendo assim, foda-se o dia das mães e todas as outras datas comerciais. Dê presentes que te lembrem e seja especial para a pessoa presenteada, seja seu pai, mãe e etc… Não dê apenas por obrigação ou pior, por desencargo de consciência.  Lembre-se, afeto gera afeto.

Um excelente domingo para todos, e talvez hoje pode ser um bom dia para fazer uma ligação para alguém especial, seja mãe, pai, namorado(a), afilhado, filho(a)…

Bjss

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As pequenas coisas da vida

Pequenos atos, podem e fazem uma enorme diferença em nosso dia a dia. Um “- Bom dia” seguido de um sorriso sincero, um olhar complacente à alguma boa ação, um “- Saúde” após um espirro de um desconhecido, entre outras pequenas atitudes que podem mudar o rumo do seu dia. Imagine você vivendo em um mundo sem “gentileza”, não por um dia, ou por uma semana, mas por anos. Um lugar onde ao menor deslize gentil, fosse encarado como algo desprezível. Daí você pára de ler o texto e se pergunta “Mas que merda de cogumelo o Bruno (autor do blog) comeu!?” – Nenhum. Apenas acordei com essa sensação de que a cada dia que passa, estamos menos gentis com o próximo e nem sempre a culpa disso é nossa.

Quinta feira passada, um rapaz veio no meu portão enquanto eu pagava o motoqueiro que trazia a “janta”, pizza. O rapaz tinha uma idade média de uns 30~40 anos. Uniforme de trabalho, cabelo bagunçado como qualquer pessoa que suou o dia todo no serviço e pegou busão lotado para voltar para casa. Ele me pediu um dinheiro para por gasolina em seu carro, pois sua esposa estava na maternidade tendo o seu bebê prematuro de 7 meses, ele realmente passou sinceridade, pois quem me conhece sabe como eu sou com dinheiro… rs… Pior que o tio patinhas… kkkkkkkkkk Ele falou que sua esposa havia saído de casa e levado seu cartão e seu carro estava na garagem da casa dele sem nenhuma gota de gasolina, ele me mostrou a carteira do convênio Porto Seguro, seu crachá do prédio onde trabalhava de porteiro. Para testa-lo ofereci cinquenta reais, para ver a que ponto chegaria a sua ganância, caso fosse uma farsa (que não me pareceu em momento algum), ele respondeu sincero “- A maternidade é na Av. Paulista, acho que trinta reais dá para ir e voltar de boa, dai amanhã nesse mesmo horário eu te devolvo” Ele me agradeceu horrores, falou que estava envergonhado de ter que pedir dinheiro emprestado, mais realmente era uma emergência e tal. Emprestei ciente que se fosse uma farsa, aprenderia uma lição barata (30R$) e se ele devolve-se o dinheiro, aprenderia uma lição MUITO valiosa, que pessoas honestas não são tão raras assim no local onde eu moro… hoje é segunda feira e eu aprendi uma lição barata.

Me entristece contar isso para vocês, mas é um modo de aliviar esse sentimento que estou sentindo. O cara teve a manha de usar um bebê prematuro para ganhar trinta reais?! Chega a me dar raiva. O bebê pode até existir, ou não, o ponto é o valor do caráter de alguém, como pode valer apenas 30 R$. 

Se pudesse voltar no tempo, creio que novamente emprestaria o dinheiro, não por querer ser o caridoso nem nada, até porque não sou muito de caridade não… mas isso é assunto para outro post, mas o ato que eu tive, foi um ato de esperança, esperar que realmente fosse verdade, esperar que realmente eu havia ajudado um pai a ver seu filho prematuro, ajudar uma família a se reunir, sei lá… acho que depois que tornei-me pai, amoleci (no bom sentido…rs).

Minha esperança foi abalada? Sim, porém, continuo acreditando que não é nesse mundo que eu quero que meu filho viva, por isso farei dele um homem digno, para que seus filhos, talvez, vivam num mundo melhor.

Para ilustrar meu texto, segue esse vídeo bem bacana!

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Reabrimos a porteira dos bebês!

Tenho uma afilhada de sete anos, linda, comunicativa e adora rosa, ela foi a primeira bebê do grupo de amigos, a porteira foi aberta, mas anos se passaram e ninguém mais teve bebê, fechou-se a porteira. Após quase 6 anos, Naty e eu tivemos o Nico e em seguida um… dois… TRÊS casais amigos ficaram grávidos com diferença de poucos meses, a porteira foi arrancada por um caminhão russo em alta velocidade kkkkkkkkkkkk.

Como ainda não pensamos em ter outro bebê, estava com medo do Nico não ter muitos amiguinhos em sua infância e eu não moro num bairro muito bom para deixar o moleque brincando na rua, mas o medo passou, pois “primos” é que não faltarão! Daqui alguns anos nossos encontros, que já são animados porque falamos muita merda, jogamos poker, discutimos sobre OVNIS, conspirações, política moderna, memes e afins, estará lotado de crianças correndo, gritando, brincando e brigando, interagindo umas com as outras… Uma nova geração de amigos, fruto da continuidade das nossas amizades. Pode ser pouco para muitos, mas para mim é algo muito lindo. Atualmente manter uma amizade é muito difícil, eu digo uma amizade de verdade mesmo, não coleguismo de internet, mas AMIZADE.

Engraçado as mães e pais amigos, curiosos, temerosos, assim como Naty e eu éramos (e ainda somos… rs), nos perguntam coisas que vão além do nosso raso conhecimento sobre o assunto, mas mesmo assim tentamos ajudar, hoje é tudo mais fácil pois temos o google como aliado, se bem usado é lógico, além de livros, blogs especializados, avós supersticiosas. É gratificante ver seus amigos homens, alguns bem aloprados, crescendo como pessoa. A mulher se torna mãe na gestação há de fato um crescimento interno e externo hahaha, mas para o pai é muito diferente, mas não deixa de ser uma “gestação” também. Em minha opinião, um pai nasce junto com o bebê e cresce junto, antes disso somos apenas homens cumprindo papel de marido, mas a paternidade acontece mesmo quando vemos o bebê ali na nossa frente chorando, com fome, com cólica, pediatra, paciência, noites mal dormidas e etc… E quando digo pai, não me refiro a quem gerou o bebê, mas sim a quem faz o papel paterno um avô, um tio, um padrasto e etc. Óbvio que cada caso é um caso, sei que existem pais que trabalham muito, tem pouco tempo e etc… eu preferi abrir mão de algumas coisas, para ser um pai presente, quero fazer parte da educação do Nico, não concordo com esse papo que quem educa é a mãe… mas foi o que eu disse, essa é a minha opinião. Adoro poder dar banho nele, servir o jantar, brincar, ver Cocoricó junto dele e etc, isso não me faz menos homem, pelo contrário me faz mais pai. Para mim essas coisas não tem preço, daqui um tempo volto para minha área e pau no gato, mais esses primeiros anos são tão importantes para o desenvolvimento da criança que não acho justo comigo e nem com ele eu não participar. 

Já ouvi alguns “eu não me vejo como pai de ninguém” e digo que essa insegurança é normal, faz parte da conscientização da paternidade. Ontem mesmo falei com um casal sobre as preocupações que os esperam… Quarto do rebento, decoração, plano de saúde, mobília, carrinho, chá de bebê, vacinas pagas e etc, depois que voltaram do coma (brincadeira) expliquei que muita coisa deve ser feita, porém cada minuto investido, cada centavo gasto, cada vez que abrimos mão de algo pelo nosso filho vale a pena!

Deixo aqui meu apoio à estes casais que tanto amo, que seus bebês venham com saúde e junto com eles uma imensa quantidade de felicidade e alegria para cada uma dessas famílias. E deus nos dê paciência, porque daqui uns 3~4 anos nossos encontros serão pura gritaria kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

=P

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Ansiedade de separação

Por volta dos 6~7 meses de idade, o bebê começa a entender que é independente de seu cuidador(seja mãe, pai, avó e etc), sendo assim, poucos minutos longe do rosto familiar pode ocasionar um enorme berreiro, você sabe o por que disto? A resposta é simples, a criança ainda não tem a noção que você(cuidador) vai, mas volta. Ela pensa que uma vez longe, longe sempre. Ai está a bendita ansiedade de separação, uma vez que o “bebê se dá conta” de que ele a sua progenitora não são o mesmo ser, algo se perde… E sinceramente falando, a busca por este “algo perdido” continua pelo resto de nossas vidas, de maneiras diferentes, com objetos diferentes, pessoas e etc…

Desde que nos lembramos como sujeito, sentimos falta de algo e/ou alguém que nos fazia completo. E é essa “falta” que nos move, que nos faz viver em busca de algo, imagine se você realmente fosse completo, tivesse tudo que quisesse, dinheiro, saúde, mulheres/homens(a gosto do freguês…rs), imagine uma felicidade absoluta! Um dia, excelente, 1 semana, legal, 1 mês, tédio, 1 ano vontade de morrer kkkkkkkkkkkkkk A falta faz falta… se é que vocês me entendem.

Não me entendam errado, não estou falando que é legal ficar doente, ser pobre, não ter um dente, ser um perdido na vida, pelo contrário, o legal mesmo é viver, e viver consiste em aprender a lidar com o lado bom e o lado mau de ato de viver.

Pessoas são diferentes umas das outras, ok, além desse clichê, posso afirmar que cada pessoa trabalha a sua “falta” de maneira diversa, uns substituem este vazio pelo consumo, compram sapatos(mulher me xingando em 3…2…1… kkkkkkkkkk), roupas, carros, relógios, compram, compram e compram… Mas sempre encontram algum limite para o consumo, não é verdade? Ou alguém pode comprar o AMOR (o verdadeiro e não apenas o carnal seus safados…rs) de outra pessoa?

Outros preferem se medicar para serem “felizes”, eu não julgo, pois cada um conhece(ou não) a sua própria  angústia. Mas existem outras formas de lidar com essa falta, mas antes de mais nada devemos tentar entende-la. E não adianta apenas subir nas montanhas e meditar por anos, ou encher a cara para não lembrar de nada, muito menos deixar para lá, pois tudo que vai, acaba voltando…  devemos de alguma maneira discutir com alguém as nossas aflições, de preferência, um profissional(psicanalista ou psicólogo) e não o fofoqueiro do bairro… rs

Ansiedade é normal, creio que seja algo inerente ao ser humano, o que não deve acontecer é o excesso… mas uma vez, devemos procurar o equilíbrio.

E por falar em equilíbrio, estou fazendo um post sobre HOMEOPATIA, vou conversar com a minha médica (que me trata desde os 5 meses de idade) para ver se rola uma entrevistinha básica.

 

Boa semana ai galera! E comentem sobre o tema ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, você ainda vê esses traços em seus filhos(as)?

 

=D

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Mulheres, mães e avós…

Meus sinceros parabéns às mulheres… mas, não à todas. Apenas as que merecem e são dignas de carregar esse gênero tão forte, batalhador e difícil de carregar. Por vezes tão desvalorizadas, usadas e históricamente maltratadas, agora é a sua vez mulher, de vencer, colher os bons frutos plantados por gerações passadas e semea-los novamente… ser feliz.

Um parabéns especial para as mulheres que já são mães, pq durmo do lado de uma, e sei como é árduo, porém, recompensador esse papel tão lindo que apenas a mulher desempenha. Nós homens, temos que comer muito feijão para alcança-las! =D

Um excelente dia e mais uma vez, meus parabéns.

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Medo de perder

Perder é um verbo transitivo, ou seja, necessita de um complemento. Quem perde, perde algo, perde alguém. Ontem a noite, dia 20/02, meu filho Nico comemorava seu 8º “mêsversário”, estávamos na casa de sua avó materna, assistindo o jogo do Corinthians, ao final do primeiro tempo veio a notícia terrível que um torcedor de 14 anos havia morrido, ou melhor, o garoto foi assassinado. Querendo ou sem querer, isso já é outra história, que não me compete entrar no mérito. Independente da bandeira do time, do nome do campeonato, do esporte praticado naquele local, o que perdemos foi uma vida, perdemos a chance de dar exemplo, afinal de contas, o esporte não serve para isso? Falhou a sublimação? Válvula de escape para a marginalidade? O exemplo a ser seguido. Óbvio que os profissionais que estavam em campo, comissão técnica e etc, não foram os responsáveis diretos pela morte do garoto, mas indiretamente não somos todos nós responsáveis?

Este post não significa nada(mas para mim já é muita coisa) além da minha opinião como cidadão, torcedor e pai. Dia após dia vemos morte no esporte, seja dentro das quatro linhas, seja na torcida, que significado isso tem em nosso dia-a-dia? Domingo tem clássico Santos e Corinthians, ninguém mais se lembrará do Boliviano menor de idade morto ontem, mas deviamos saber que esse boliviano, tinha um nome, assim como nossos filhos tem, possuia uma mãe, assim como nós, teve sua vida roubada num local onde deveria apenas existir emoção, alegria, momentos memoráveis, milésimos gols e etc. Ninguém mais lembrará do Kevin Douglas Beltrán Espada, apenas seus familiares e amigos…

Hoje percebi um alvoroço no facebook sobre o que deveria acontecer com o Corinthians, deveria ou não ser banido, multado e o diabo a quatro, mas espera um minuto… FODA-SE a punição para o time X Y ou Z, o que deveria ser perguntado é o que devemos fazer para que isso nunca mais aconteça dentro e fora dos estádios, essa seria uma atitude correta, e não agir feito humanóides irracionais  querendo ver o pior ou o melhor para seu time ou rival. A vida já não é mais uma prioridade social, um novo sintoma social, que nos deprecia mais e mais.

Onde esta a humanidade dentro do ser humano? Será que quanto mais “evoluímos”, perdemos a humanidade? A cada dia somos menos humanos ou mais humanos no pior sentido perverso da palavra? Onde esta o amor ao próximo? Deixo essas perguntas sem respostas, pois são perguntas que nem deveriam ser feitas.

É nesse mundo que terei a árdua missão de criar meu filho, um ser humano, com atitudes humanas, assim espero. Que Deus me ajude e conforte essa família.

Tenho medo de perder.

 

Fica aqui meu grito de decepção e a esperança que a próxima geração,  seja menos humana e ao mesmo tempo mais humana, no melhor sentido da palavra.

 

*LUTO*

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Um novo ciclo de natal

Esse natal foi um pouco diferente do normal, nunca tive uma família muito ligada ao natal, nosso foco sempre foi o ano novo juntos, natal era cada um por si… rs. Esse ano me dei conta que eu tenho que começar a comemorar o natal de uma forma diferente, ainda não sei como, mas diferente, afinal agora eu tenho a minha família e gostaria que o natal para o Nico, pelo menos por alguns anos, fosse algo especial. Não apenas pelos presentes e pela ceia(gordo é foda), mas pelo espírito do natal, sou da opinião que não precisamos de uma data para perdoar ou pedir perdão, mas é fato que no natal os corações amolecem, o orgulho já não tem mais tanta certeza de que esta totalmente certo, revivemos alguns momentos passados com outro olhar, o olhar do outro.

Penso que no Natal, é bem mais fácil ser bondoso, uma simples visita há um orfanato, ou algum hospital infantil consegue mudar a visão de mundo de qualquer pessoa mentalmente saudável. Já tive a oportunidade de fazer as duas visitas que citei acima, e digo que cada uma delas matou um pouquinho do espírito natalino que eu possuía, não no sentido ruim, mas no sentido real. No orfanato fui com a minha família, entregamos brinquedos, tomamos café com as crianças e em poucos momentos, nós éramos o mais próximo que elas tinha como família, a cada minuto um garoto me dizia que sua mãe em breve chegaria, perguntei para a moça que cuidava do orfanato e ela me contou que o garoto havia sido deixado lá há mais de 5 anos e nunca tinha recebido uma visita, me peguei pensando como posso ser tão mesquinho no meu dia a dia. Como posso ficar “putinho” com tanto coisa idiota, frente a esse garoto. Isso é natal, é encarar o que fizemos no ano e ter a coragem de dar um pedaço de carvão á nós mesmos. “Fulano me deletou do facebook, cicrano me bloqueou do twitter, galera marcou algo, não me chamou e ainda postou fotinhos no instagram…”. Para você que ainda esta lendo esse texto, reparou que natal me deixa pessimista e um pouco melancólico, mas é por isso, pela realidade que o mundo vive em todos os outros 364 dias do ano, e que nos lembramos apenas no natal. Gente passando fome, guerras acontecendo enquanto eu como meu chester, enquanto engordo alguns quilos na noite de natal, mendigos comem sopa no centro da cidade, dada por pessoas que fazem a diferença nessa data de nascimento, renascimento, o que é o nascer, se não um novo ciclo?

E quando os ciclos terminam? Fantasiado de palhaço visitei crianças no hospital do câncer, em um outro natal, nunca fiquei tão triste em minha vida, mais um péssimo natal para mim, mas um bom natal para eles, cheios de esperança, alegria, agarrados a um fio de vida, alguns sem força até para levantar de seus leitos para receber os presentes dos palhaços,  que de tempo em tempo choravam e saiam da sala, abraçávamos as mães, e elas num choro tão sincero nos apertava como se estivesse renovando suas forças para mais uma noite sofrida, acordada e sentada em uma cadeira improvisada de hospital, sem saber se no dia seguinte poderia abraçar seu filho, seu menino… é este natal que quero voltar a viver. Há anos que não fiz mais nenhuma coisa boa no natal, só visitei amigos, abracei familiares, comi ceias maravilhosas e me esqueci desse outro natal.

Abracei o meu filho na virada da meia noite, e tive a certeza que hoje nada é mais importante para mim do que seu bem estar, sua formação, espero que um dia ele leia isso e saiba que este é o espírito de natal que ele deve ter, presentes são bem vindos? Lógico que são, mas não devem ser a regra do natal. Penso que esta é uma data no ano que podemos realmente fazer diferença para outras pessoas, podemos ser o natal delas.

Que todos tenham um ótimo fim de ano.

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A ira de um anjo (Child of Rage)

Acabei de assistir a um documentário da HBO de 1992. Fala sobre uma menina que se chama Beth Thomas, vítima de abuso sexual. A mãe de Beth faleceu quando ela tinha um ano de idade e desde então ela sofreu abuso de seu pai(pfff) biológico, somado a surras, álcool e muita violência, o que poderia resultar disso?

(Me sinto até mal de falar sobre esse assunto aqui no blog, mas, infelizmente é uma realidade social, não consigo apenas fechar os olhos e fingir que não acontece e já que tenho “voz”(meu blog) decidi falar, se você não tem estômago forte para o pior do ser humano, não continue lendo).

No início do documentário, Beth e seu psicólogo conversam sobre os “sonhos” que Beth teve quando criança, ela conta sobre o abuso de seu pai biológico, que sofria, tinha medo, sentia muita dor e  sangrava, mas o “sonhos” persistem, não terminam… Ela conta que enfia agulhas em seu irmão(mais novo) John, mata animais, rouba facas de sua casa, para tentar esfaquear seus familiares enquanto eles dormem, Beth realmente foi “danificada”, não tem auto estima, pensa apenas em machucar seu irmão, não confia em ninguém, não sente, não teme, não se importa com mais ninguém além da sua dor reprimida, recalcada. Quem mais sofria com a Beth(além dela mesma) era seu pequeno irmão John, ela o molestava(no sentido sexual da palavra), o agredia diáriamente, enfiava agulhas em seu corpo e em um momento da entrevista ela disse que “não conseguia parar” mesmo quando John pedia, reproduzindo inconscientemente a cena traumática vivida em sua infância.

Beth começou a ser tracada em seu quarto para que a família conseguisse dormir em segurança, continuamente em terapia, seu médico decidiu separa-la(temporariamente) de seus pais adotivos para um retiro de terapia intensiva, especializada em crianças que sofreram abuso sexual e crianças homicídas.

Após anos de tratamento, as feridas começaram a ser tratadas, Beth começou a diferenciar certo e errado, começou a sentir-se mal por tudo o que havia feito, sentia-se culpada por suas atitudes, diferentemente do início do documentário, no qual, ela era fria ao responder o que lhe perguntavam e indiferente a todos.

Em sua última aparição no doc.,  ela se emociona e diz que o que o seu pai lhe fez, as coisas que ela lembrava(creio que neste ponto, ela já tinha entendido que não era apenas um sonho ruim, mas sim, a realidade de fatos traumáticos) fazia com que ela machucasse as pessoas, e quem mais sofreu com isso foi seu irmão.

– Quem você machucou mais?

– Meu irmão. Isso é o que me machuca mais.

– Como isso a machuca mais?

– Porque quando eu machuco as pessoas, estou ferindo a mim mesma.

– Como se sente agora, Beth?

 – triste (lágrimas)…

Este é o trecho final do documentário(gravado em 1989).

Quando terminei de ver o doc. de imediato foi para o google pesquisar sobre essa menina, atualmente uma mulher. Fiquei transtornado com a podridão de um pai que violenta sua filha de 1 ano de idade, mas fiquei feliz e me senti esperançoso em saber que ainda existem pessoas que ajudam e que se importam.

 

// A partir daqui é tudo bem bagunçado e sem fonte confiável. O “achismo” da internet.

Versão 1

Atualmente Beth Thomas ministra seminários e palestras coorporativas a respeito da felicidade, incrivelmente irônico, paradoxal e humano.

Versão 2

Beth Thomas é enfermeira no Arizona.

adf

Decidi fazer esse post em sua homenagem e agradece-la por me trazer esperança social, saber que ainda somos capazes de reagir à algo tão nojento, imperdoável e sujo que é o abuso sexual infantil e transformar em esperança, amor, sentimento, ter forças para lutar e vencer, mesmo que seja apenas no fim.

Se você sabe ou desconfia que algum conhecido, parente, vizinho, amigo ou etc sofra este tipo de abuso, não hesite, não julgue, não acoberte, não seja um covarde. DENUNCIE!

Para quem quiser ver o documentário completo, assista e compartilhe!

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Que providência tomar?

Naty e eu conversamos ontem vários assuntos, adoro jantar na mesa, sem tv ou afins, faz bem para nós, nos mantém em sintonia. Vou compartilhar com vocês uma síntese/interpretação/viagem, com base em uma música do Lenine, dos temas tratados no jantar.

Acordei inspirado hoje(acho que é porque assisti Carrossel ontem huAUHahUuhahuaHUA), ou não.

Julguem vocês!

Abraços.

***

O não querer saber é mais cruel do que o não saber. Pois, existe uma consciência de saber o que não se deseja. Mas, na verdade, sabemos o que não queremos, apenas não pegamos, seguramos, apalpamos ou medimos. Chega estar tão perto que não conseguimos ver. Sabe a sensação de colocar a palma da mão bem próxima aos olhos e conseguir enxergar por ela? Neste momento vemos o que não queríamos ver, e assim é a vida.

A decisão tomada de ficar só, permanecer inteiro, sem divisão emocional, a segurança de ser completo… Começo a rir sozinho, apenas pela sensação de estar só, mas, sorrio de tristeza, não me vejo mais só, menos ainda completo, a cada dia me monto, com um quebra-cabeça de mil peças, as bordas são fáceis de identificar, porém, o interior, o recheio, ali dentro no miolo, quem me dera saber de algo.

A falta nos completa, o paradoxo é nosso ursinho de pelúcia, abraçamos a solidão, um travesseiro de visco elástico, apertamos e apertamos para fazê-lo sumir, ele aparenta estar menor, mas, quando olhamos novamente, está inteiro. A falta e a solidão são completas, o que é a solidão, se não a falta de alguém, a falta de conjunto, de um grito que seja, a falta de demandar.

Mas essa dor, não me entristece. O que me faz temer é a palma da mão que não vejo, está ali, mas não enxergo, não apalpo. Não seguro nem meço. Isso me faz falta.

Foi! Passou e não vi, cadê? Perco-me no não saber e me acho no aviso, no conselho, no saber do outro. E como ficará a minha geração? O saber do outro agora é meu e devo passá-lo adiante. Mas o filtro, para que o que vejo como impuro não se perpetue, não recomece no meu fim. E o que é impuro? Mais uma vez sorrio…

Foi! Bem quietinho, distraído e calado. O amor se foi? Mas a falta permanece, cruel não é? O que faço dessa vida? Vendo-a? Devolvo-a para a loja? Processo no tribunal de pequenas causas? Minha causa será realmente pequena? Risos aparecem em minha face, mas agora de ironia, se fosse fácil assim o mundo não pressentiria seu fim, aflito e só. Mais uma vez o bendito não saber ou não querer saber aparece, sorri e se vai. Tudo se vai, porém, algo sempre permanece. Resta ansiedade de um chegar, alguém chegará para mudar o mundo, o meu mundo, tirará meu chão, não para me ver cair, mas para me ensinar que não sou completo, sou parte, faço parte, monto partes.

O cheiro do amanhã se iniciará em breve, cheirinho de carro novo, livro novo ou velho, o cheiro do novo. O cheiro fica pelo ar, fica o medo de ficar e o vazio preenche o espaço restante. O amor voltou, continuou calado, me maltratando, completando-me, deixando a solidão sem medida.

Mais uma vez eu sorri!

 

 Livre interpretação da música “A medida da Paixão” de Lenine.

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